quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O sentido da vida... (parte 1).

Antes de qualquer coisa, não, o post não tem a mínima pretensão de explicar o sentido da vida, seria impossível e completamente arrogante.

Todos nós procuramos o sentido da vida, e cada um acaba encontrando o seu, seja ele qual for, e no final, só no fechamento das contas é que poderemos saber se o que escolhemos valeu a pena.

O ser humano carrega dentro de si a eterna insatisfação, nunca conseguimos comer o tanto que gostaríamos, a macarronada está deliciosa, estamos com a barriga explodindo, mas gostaríamos de poder comer infinitamente para continuar sentindo aquele sabor maravilhoso. Porém, o universo sempre nos prega uma peça: A fome já não é mais a mesma, os sensores gustativos e olfativos já estão saturados e o estômago está lotado. Podemos até tentar comer mais um pouco, mas daí passaremos mal e a delícia inicial se perde na angústia do mal estar.

Se pensarmos bem, o momento de plena satisfação é breve, logo após, queremos mais, mais, mais...

Poucas pessoas conseguem entender este processo, satisfação breve - insatisfação - satisfação e assim sucessivamente, e aproveitam cada momento.

A mentalidade de nosso tempo prega o conforto e o consumismo, e com isto tenta-se anular o sentimento motor da existência da vida: O sentimento de insatisfação.

É este sentimento que move tudo, sempre há algo a ser buscado, sempre viveremos com a sensação de que algo está faltando.

Este sentimento é angustiante, e é natural que todos busquemos a fuga, e é aí que está o problema: fugir da insatisfação. A fuga em si não é o problema realmente, mas a confusão que fazemos para fugir do sentimento que tanto massacra nosso ser.

Temos dois tipos de insatisfação, a física e a espiritual, e ambas seguem a mesma linha centradas em momentos de breve satisfação com períodos longos de insatisfação. 
A confusão mais comum é aquela onde tentamos satisfazer o espírito com coisas físicas, isto explica facilmente o consumismo desenfreado, pois acreditamos que quanto mais termos, mais satisfeitos seremos, o que é uma grande ilusão. Sim, precisamos nos vestir, precisamos comer, precisamos nos locomover, precisamos dormir em camas, até aí tudo bem, o problema é a pessoa achar que só vai ser feliz quando vestir a roupa mais cara, andar no carro mais potente, tocar na guitarra mais cara, ter o corpo mais sarado, transar alucinadamente em todas as baladas. É a carne sobrepujando o espírito.

A satisfação espiritual, segundo penso, vem do trabalho que fazemos bem feito em nossa vida, vem de saber que embora o que você tenha feito não está perfeito, é o melhor que você pode naquele momento. Vem de trabalhar sem esperar nenhum tipo de reconhecimento alheio. Aquela pessoa que quer ser o melhor que puder naquilo que escolheu, seja desenhar, cozinhar, limpar a casa, enfim, não importa o quê, mas definitivamente faça algo! (Um livro fantástico que fala sobre isto é o Fernão Capelo Gaivota).
A outra coisa, é que precisamos buscar a paz, sempre! A parte mais difícil, é sempre esta pois precisaremos sempre questionar tudo o que pensamos, sentimos. Precisamos entender que nossas opiniões são tão somente nossas e que em nenhum momento podemos julgar os outros, cada um é o que é. Junto ao trabalho de tentarmos fazer algo muito bem feito, tentaremos ser as melhores pessoas que pudermos, e isto é basicamente simples: Basta tentar ser legal com as outras pessoas.

Voltando ao problema inicial: as pessoas buscam o ter, o parecer ser perante os outros, buscam a todo custo chegar ao topo de uma montanha imaginária, pois no final é muito mais fácil do que empreender a batalha de melhorar-se a si mesmo tão somente.
Todos sonham em ser admirados pelos outros, daí compram-se jóias, vão à academia para ficar o mais sarado possível, compram BMW´s, smartphones, para serem invejados pelos outros. 

Sabe aquele velhinho que trabalha na roça, usa roupas velhas e não tem um celular? As chances desta pessoa ser infinitamente mais feliz que você que vive de aparências é gigante.

Continua...