terça-feira, 13 de novembro de 2012

Andei pensando sobre a Fé.

Um dia desses, eu estava conversando com um amigo e em um dado momento surgiu o assunto fé. Como este meu amigo é muito religioso, ele tentou me convencer da existência de Deus e de Jesus.
Argumentos e contra-argumentos de ambas as partes, até que ele me disse o seguinte:

"Olha Eduardo, eu não posso provar nem que sim, nem que não, mas acredito que Deus existe porque eu sinto, e sinto com muita força em meu coração..."

Este assunto se encerrou, graças ao argumento citado, e a conversa tomou novos rumos.

Mais tarde já em casa, muitos pensamentos vieram à minha mente sobre o que meu amigo me disse.

"-Eu acredito que existe porque eu sinto...".

Será que só porque sentimos algo lá no fundo do nosso coração, aquilo existe mesmo? Ou será que quando sentimos, o objeto em questão existe apenas para quem sente?

Os céticos dirão que só acreditam vendo, e os que têm fé dirão que acreditam em algo sem nem ao menos ver, basta sentir.

Vamos falar da onda de rádio:

Não é possível provar a existência da onda, pois não há como medi-la. 
Como afirmar sua existência?
A partir do momento que alguém conseguiu inserir um sinal de áudio nesta onda e o transmitiu, e o áudio chegou a seu destino seguindo as previsões do comportamento da onda, podemos supor que a onda existe, afinal conseguimos interagir com ela, e todas as pessoas do mundo obterão o mesmo resultado.
Se transmitíssemos o áudio mas não conseguíssemos captá-lo, a onda não existiria.
Então, acreditando ou não na onda, ela existe.

Pode-se dizer o mesmo do átomo, ninguém conseguiu ver o átomo, todas as descrições dele são teóricas. Porém, a partir do momento que os cientistas conseguem manipular a matéria com base na teoria, e o comportamento desta matéria é igual ou parecido com o que a teoria descreveu, podemos supor que o átomo existe, acreditando nele ou não.

Já Deus não interage com todos de uma forma uniforme, nunca houve uma comunicação Dele para com os seres humanos que fosse clara e igual para todos os receptores (no caso, nós, os seres humanos) e ainda que fosse possível de ser registrada. Todas as vezes na vida que ouvi sobre este tema, os argumentos eram os mesmos: Fé, Deus só se comunica com quem o aceita, etc.
Volto ao ponto inicial, se eu sinto algo e se cada pessoa sente de forma diferente, será que aquilo existe mesmo, ou só existe para quem sente? Será que nossa vaidade não quer que o que sentimos seja lei só porque não temos coragem de admitir que nos apegamos a coisas imaginárias por incapacidade de enxergar a dura realidade?

Nem questiono a existência ou não de Deus, mas questiono a interação dele conosco. Se existem muitas pessoas que dizem, só eles, receber as mensagens Dele, e se não foi possível registrá-la (hoje temos muita tecnologia disponível para isto), e que eu precisarei de fé para aceitar que aquilo é verdade, não posso então acreditar que houve qualquer interação, posso buscar minha própria interação, apenas (e nem mesmo terei certeza se é real ou imaginação).

Aprendi a duras penas que devemos duvidar de tudo o que pensamos e sentimos, se algo for verdade será para todos de forma igual,teremos aí uma verdade absoluta, tal qual o choque elétrico. Enquanto só eu achar que existe só porque sinto, devo guardar para mim, pois é minha verdade relativa, é meu direito sentir e acreditar, mas o máximo que posso fazer é tentar trocar experiências com o meu próximo.

Toda vez que eu duvidar da minha verdade relativa, posso encontrar outra, mais conveniente para aquele momento, isto será cíclico e infinito, creio.

"Acho importante respeitar o sentimento alheio, todos temos sentimentos e acreditamos neles, mas tentar provar ao próximo que sentimentos individuais são verdades absolutas é loucura, e o ser humano sofre deste mal".


Gostaria de agradecer meu amigo Maurício Surtão por ter me explicado o comportamento das ondas de rádio.

9 comentários:

  1. Acredito que estamos próximos de descobrir a grande verdade sobre esse tabu, já que estamos na era do conhecimento. O que eu posso dizer, é que mesmo diante dessa dúvida cruel, a energia que emana desse Deus provável criador, é energia positiva mesmo que for imaginário tem esse poder de equilibrar e fazer grande parte das pessoas se unirem e compartilharem da força do amor ao próximo.. Abração do amigo Cabral.

    ResponderExcluir
  2. Tem o poder de equilibrar, mas também ao longo da história foi e ainda é usado como instrumento de poder e controle. Infelizmente.

    ResponderExcluir
  3. Leia o livro "Conversando Com Deus" (Neale Donald Walsch), é um ótimo livro de psicologia. Acho que você vai gostar. Abç.

    ResponderExcluir
  4. Fala Lucas, tudo bem? Já li este livro, creio que em 2007, é muito bom mesmo.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  5. Como disse Dan Barker, famoso ativista ateu (foi pastor por 19 anos, e estudou Teologia), a "Fé é uma derrota - uma admissão de que as verdades da religião são desconhecidas através da evidência e da razão. É somente uma asserção indemonstrável que requer a suspensão da razão, e idéias fracas, que requerem fé.", ou seja, ter fé é acreditar em algo que voce sabe que não é verdade...

    Adorei o texto... e estou compartilhando...

    ResponderExcluir
  6. existem filosofos como Descartes que provam a existencia de deus pelo pensamento. existem outros mais modernos q eu nao conheço muito que provam pelo sentimento. A dicussao eh a mais intrigante na historia da humanidade e a necessidade de expor esses pensamentos tambem. A fe existe em todos os homens o que muda eh o objeto de sua fe. se a fe nao fosse importante para os que dizem que nao a tem, nao teria sido criada a Filosofia :)

    ResponderExcluir