sábado, 19 de maio de 2012

O trabalho de estar em uma banda (parte 2)

Continuação do post sobre o trabalho de estar em uma banda.


A maioria das bandas são formadas inicialmente por amigos que querem se divertir, todo sábado ou domingo a tarde é sempre a mesma rotina, todo mundo lá pronto para ensaiar e tocar as suas músicas favoritas.
Passado este estágio, começam os dilemas:
Quais músicas exatamente tocar?
O guitarrista quer tocar Iron Maiden, o baixista quer tocar Pink Floyd, o vocalista quer tocar Pearl Jam e o baterista quer tocar Capital Inicial, daí todo mundo dentro da banda abre exceção para que todo mundo possa escolher as músicas que serão tocadas, normalmente estas bandas viram uma salada de estilos, mas acabam agradando muitas pessoas, são as bandas mais ecléticas.
O próximo dilema enfrentado: Onde tocar? As opções são raras, alguns bares que oferecem aos seus clientes música ao vivo, alguns eventos da Prefeitura (raríssimos), e alguns festivais de iniciativa de algum corajoso por aí.
Resolvido o dilema de onde tocar surge o problema do cachê, aí creio, tem-se dois caminhos a trilhar:


Agradar ao público: São as bandas que voltam seu repertório para agradar o público dos locais quais se pretendem tocar, se for tocar bailes, tem que ter todas as músicas do momento, se for de bar, precisa tocar Pop Rock, mesclando músicas antigas com novidades, sempre pensando em agradar o público deste tipo de ambiente. A matemática é simples: Se a banda agrada ao público o público pede a banda mais vezes na casa, e quanto mais a banda atrair público maior o poder de negociação da banda com o dono do bar, quer dizer, maior o cachê que se pode pedir. Claro, que dá para colocar umas coisas de gosto pessoal no meio, mas o caminho é tortuoso.


Agradar a si mesmo: A banda que só quer agradar a si mesmo está fadada ao fracasso caso o caminho escolhido seja o de bares e casas noturnas, enfim, se a proposta for fazer músicas de outras bandas, a excessão fica para bandas cover de uma única banda, daí sim agrada-se a si próprio e ao público.
Para a banda que quer agradar primeiro a si mesmo, faz mais sentido trabalhar músicas próprias, afinal se o que a banda vai fazer é algo inédito, poucas pessoas gostarão de imediato, então o que tem que ser feito é colocar o pé na estrada, tocar em todos os lugares possíveis sem encanações com cachê, equipamento ou o que quer que seja, se a banda tem material, toque e distribua, o que tem que ser feito é construir um público, este público é quem fará a divulgação da banda, mesmo que muitas vezes este público não tenha condições de seguir o grupo, estes fãs terão orgulho e prazer em mostrar o material para a maior quantidade  de pessoas possível.


Os integrantes devem pensar no objetivo do grupo, não é simples casar todos os interesses em prol de um objetivo, a coisa se complica conforme os membros ficam mais velhos, afinal sempre surgirão outras obrigações na vida pessoal de cada um. Qualquer que seja o caminho escolhido, a sintonia deve existir, caso contrário a banda não conseguirá caminhar.


As grandes bandas foram as que seguiram seus ideias sem se importar com mercado, situação econômica, e outras coisas, afinal basta ler a história de todas para notar que praticamente todas elas vieram do nada também.


Se nada acontecer vale a experiência e a satisfação de ter feito o seu melhor, afinal no fundo o que vale é a diversão, esta sim deve, depois de todo o trabalho, ser o objetivo principal.
Não adianta só querer fazer as coisas com a garantia de tudo funcionará, pois assim não haverá o esforço necessário.


Abraços.





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