quarta-feira, 21 de março de 2012

Pra que a culpa?

"No livro chamado Assassinos da Rua Morgue, que peguei para ler por ser o livro que inspirou a música do Iron Maiden chamada Murders in the Rue Morgue, o assassino mata uma pessoa e o crime fica insolúvel porque o mesmo o fez de uma maneira que não deixou nenhuma prova. Eis que ele sempre pensava quando via policiais pela rua: -Ninguém sabe que fui eu o autor do crime, ninguém apenas eu sei! Passaram-sse 10 anos até o dia em que ele pensou: -Ninguém saberá, até eu contar.
Eis que o assassino sai gritando pelas ruas, confessando em alta voz, a autoria do crime..."


Citei o exemplo do livro porque foi este texto inicial que me abriu os olhos a este mecanismo cerebral.
O que acontece é que havia um sentimento de culpa dentro do assassino, e a culpa não foi resolvida. Nosso cérebro não sabe lidar com o sentimento de culpa, é uma energia negativa que fica girando dentro dele e que não evapora, digamos assim. 
Praticamente todos os seres humanos carregam sentimentos de culpa dentro de si, não por ter assassinado alguém, muitas vezes as culpas são imaginárias, porém, imaginárias ou não o mal causado é sempre o mesmo.
Uma forma interessante de lidar com a culpa é a auto-punição, muitas pessoas sabotam a si mesmas simplesmente porque existem culpas mal resolvidas dentro de si, a auto-sabotagem é uma forma de punição.
Exemplo de culpa imaginária:
Você está com 10 anos brincando com seu amigo na rua, de repente você, numa brincadeira qualquer, o empurra e ele cai e quebra a perna. Foi algo acidental, mas você pode ficar com um sentimento enorme de culpa, e o que é pior, este sentimento pode nunca se resolver dentro de você, mesmo passados muitos anos e você nem se lembrar conscientemente mais disto. Este pequeno sentimento, somado a outros, causa enormes estragos psicológicos.
As religiões também, tentam conter as tentações de seus fiéis embutindo neles um sentimento de culpa, é o tal pecado. Quanto mais culpados forem os fiéis, mais fiéis eles serão.
Para quê servem as penitências que os padres receitam? Servem para aliviar o sentimento de culpa.
E as prisões? Elas tratam os criminosos como se eles fossem os maiores culpados dos males da humanidade (não estou aqui discutindo se são ou não, isto é área da justiça), mas o fato é que esta forma simplesmente não funciona, pois se um criminoso não sente culpa a sua pena não funcionará.
E pais criando filhos? Na maioria das vezes quando uma criança faz suas artes os pais tratam de tentar inserir um sentimento de culpa na criança para tentar conter suas energias. Os filhos aprendem as artimanhas e passam a manipular os pais fazendo-os se sentirem culpados.
São pais dizendo: -Os filhos de fulano são obedientes, estudam, tiram notas boas e você não faz nada direito! É como se os pais pensassem que se seus filhos se sentirem muito culpados eles serão melhores.
Ou filhos dizendo: -Eu não pedi pra nascer, se vocês fossem pais melhores eu seria mais feliz!
E nos relacionamentos amorosos? A culpa parece ser a arma mais eficaz na tentativa de um manipular o outro.
Exemplos são aos milhares, a grande sacada é eliminar o sentimento de culpa da sua vida, ficar imune à prisão que o sentimento de culpa é. 
Sentindo se livre deste sentimento, e também não mais causando a culpa nas outras pessoas, muitas coisas na vida ficam mais leves e livres do emaranhado que os relacionamentos baseados em culpa são.
Erros todos cometemos, porém sentimento de culpa nenhum no mundo é capaz de voltar o tempo e consertá-lo. Passado é imutável, não existe milagre. Aprenda com os erros, adquira experiência e acerte da próxima vez, isto basta.


continua...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Gravando um Álbum (parte 2)

Continuação do post (Gravando um Álbum).


Ainda falando sobre a "Aventura" que é gravar um álbum.


3º - Sessões de Gravação - Overdubs: Consiste em gravar várias partes, no meu caso, a guitarra.
Criei uma guitarra mestra, que será a mesma que tocarei ao vivo, e nas partes onde for necessário gravei guitarras complementares, bases de alguns solos, duetos, a algumas dobras. Nesta etapa o risco de tentar colocar coisas demais é enorme, é sempre necessário ter bom senso. Lembre-se que quanto mais trilhas houver, maior o trabalho para mixar.
No meu caso, optei pelo menor número de overdubs por dois motivos: O primeiro é que ao vivo quero ser o mais fiel possível ao que estiver registrado no CD (a OVERЯOCK é composta por bateria, baixo, uma guitarra apenas e um vocal).
O segundo motivo foi a falta de experiência e o orçamento reduzido, quanto maior fosse a quantidade de dobras da guitarra, maior seria o tempo que eu precisaria ficar no estúdio na mixagem, logo a melhor escolha foi ser mais objetivo.


4º - Mixagem: Ao contrário do que muita gente imagina, mixar um álbum não é simplesmente colocar volumes nas coisas. A mixagem começa com a limpeza sonora de todos os instrumentos gravados, normalmente o primeiro instrumento a ser trabalhado é a bateria, cada canal (bumbo, caixa, chimbal, pratos, tons) é isolado para que cada peça tenha a liberdade sonora desejada. Baterias de grandes álbuns, como o Black Album do Metallica por exemplo, levaram meses para serem devidamente timbradas e mixadas e soarem grandes.
O baixo é outro instrumento complicado por estar em uma frequência delicada  e difícil de ser reproduzida.
Essencialmente, o baixista é a nota musical do bumbo, porém seu timbre deve ser diferente do bumbo para não ficar mascarado. Um baixista impreciso mata a pegada de uma banda.
A guitarra é um instrumento que normalmente é cheio de efeitos, mesmo que na maioria das vezes eles não são notados de primeira. Como toco em uma banda de rock, o efeito que mais usei foi a distorção, e aprendi que cada música pede um tipo de distorção, sempre em pról da música.
Imaginem o timbre de guitarra do Dimebag Darrell nos Ramones, ou o som do AC/DC no Pantera, simplesmente não funcionaria.
Como dito acima, uma boa mixagem depende de uma boa captação, e os timbres ideais devem ser definidos na pré-produção, como notaram, todo o processo está interligado.
Os vocais,  merecem um cuidado especial, e merecerá um post a parte...


Na próxima semana, continuo contando todo o aprendizado.


Abraços.