terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gravando o Álbum.

(continuação do Post: Um pouco sobre a OVERЯOCK)


Gravar um álbum é uma experiencia muito boa e para quem está disposto, uma fonte enorme de aprendizado.


A OVERЯOCK assinou um contrato de gravação de um álbum que deveria conter 10 músicas, mas naquele momento só haviam 5 músicas totalmente prontas. Começamos uma verdadeira maratona de ensaios para aprontarmos as outras 5 músicas que faltavam, ensaiávamos todos os dias praticamente, sempre das 21:00h às 0:00h pois tínhamos apenas um mês para iniciar as gravações.
Tudo correu bem e terminamos as músicas a tempo, e agora restava agendar as sessões de estúdio e iniciar os trabalhos, aqui vai um pouco de tudo o que aprendemos:


1º - Composições: As músicas devem fazer parte de um tempo, todas as músicas devem fazer parte de um todo, já notaram como coletâneas ficam estranhas? Isto acontece porque cada música é de uma época e por causa disto possuem vibrações e propostas diferentes.
Acabamos por notar a idéia do conceito na metade do processo e por causa disso o trabalho foi maior para deixar as músicas condizentes entre si.


2º - Pré-Produção: Sempre ouvimos falar nisto em entrevistas, e de fato, depois de todas as músicas estarem finalizadas é necessário que a banda grave a música inteira, pode ser um ensaio. Isto serve para que todos ouçam e critiquem suas partes, nesta hora aparecem idéias como backing vocais, overdubs prováveis, ajustes de arranjo e melodia, sem este trabalho, o risco de precisar de horas extras no estúdio aumenta muito e a banda ainda fica sem a noção do que esperar do produto final. No nosso caso, fizemos inúmeras gravações de ensaios e inúmeros ajustes ocorreram ao longo do processo.


3º - Sessões de Gravação - Guias: A primeira novidade que tivemos no estúdio foi a presença de um produtor. Todos tínhamos alguma experiência com gravações, mas nunca com pessoas de fora com o poder de opinar e isto sempre causa algum tipo de apreensão, afinal se o produtor fosse mais pop ou muito mais metal que o estilo da banda? E se o produtor fosse um tirano que quer dar palpite em tudo? Felizmente o produtor com quem trabalhamos tem uma metodologia de ver primeiro a proposta da banda, daí se necessário opina.
Como fizemos uma longa pré-produção o trabalho de fazer as guias foi razoavelmente rápido, tirando uma ou outra pane a coisa fluiu bem. Toda banda que quer gravar um trabalho em estúdio precisa ter bem dominado as próprias músicas com o metrônomo, caso contrário o trabalho pode virar um caos total...
No nosso caso, as guias eram as guitarras e os vocais, o Fernando Bussab (Batera) ouvia em um fone enquanto gravava sua bateria.


3º - Sessões de Gravação - Timbragem: Cada instrumento possui características que podem valorizar ou atrapalhar uma canção. A bateria é a base de uma música, portanto suas peças devem estar bem timbradas (com o som apropriado) para soar bem e dentro da proposta. Neste caso, o produtor ajudou bastante. Nem sempre o som que achamos mais legal é o que ficará legal na canção depois que esta for finalizada, é importante ter uma visão a frente, as vezes grava-se um som estranho quando isolado, mas ouvido no conjunto soa bem. Nesta etapa, todos da banda aprenderam, e muito!


Semana que vem continuo contando como foi o processo de gravação do CD.


Aqui tem uma pequena mostra de uma música que estará no álbum.


Abraços.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ser brasileiro é ser brocha!

Após assistir um trecho do Lobão no Café Filosófico falando do Gilberto Gil e outros desafetos tive que concordar com uma coisa que ele disse sobre brasileiro ser brochante.
Vamos aos fatos:


Inglaterra pós-guerra, uma repressão violenta além de muita pobreza. Nesta época surgiram muitos artistas que fizeram verdadeiras obras de protesto, como Sex Pistols cantando God Save the Queen com uma letra nítida e agressiva mesmo.
Tem também o Iron Maiden cantando contra a então Dama de Ferro, Margaret Thatcher com desenhos do Eddie assassinando-a.
Tem o U2 na época do War.
Jimi Hendrix protestando abertamente contra a guerra do Vietnã em um festival antológico, o Woodstock.


Agora aqui no Brasil tem o Chico Buarque, Caetano Veloso e outros afins, nada contra eles, por favor, mas caraca aquelas letras rebuscadas para escapar da censura, aquilo é de uma agressividade de um poodle chateado por estar sem ração. Tá certo, tem o lance do Pasquim, mas esta de protesto inteligente, sei não. Se o povo não entende o teor da mensagem é o mesmo que dizer que a mensagem não foi dada. Logo o protesto nada vale e o cara não se compromete tanto, no máximo serve para professoras de português dizerem o quanto os caras manjam da língua
.
Mataram alguns, podem dizer, mas a grande maioria simplesmente calou a boca e se omitiu, preferindo ficar com um banquinho e um violão cantando as belezas das praias brasileiras.


Existiram vários regimes militares ultra-autoritários mundo afora, e a maioria caiu após revoltas populares gigantescas, e aqui? A coisa foi acabando sozinha por não conseguir se sustentar. Parece que a bundamolice brasileira é genética, só pode!


Independência do Brasil, outra bundamolice dantesca, não teve revolução porcaria nenhuma, foi um tratado pacífico onde tivemos que arcar com uma dívida gigantesca, não teve um tirinho sequer... 
O hino nacional pode ser bonito e bem escrito, mas é uma fábula.


Me lembro de uma música de revolta de umas meninas de um tal Axé-Blonde, um bando de loiras peitudas que analizavam a "Cadeia hereditária...". Elas falavam nos programas que a música era um protesto, na boa, peitos jamais demonstrarão revolta nenhuma.


E atualmente:
Milhares de leis idiotas e injustas que só ferram o brasileiro, falta de segurança, impostos altíssimos e o máximo que todos, inclusive eu, fazemos é protestar no Facebook? Aliás, no último dia das crianças rolou um protesto contra a violência infantil no Facebook, bastava botar na foto do perfil uma foto de desenho animado, tcharam, tá feito o protesto. 
Cara, ser brasileiro é ser brocha mesmo!


Sei lá, até a seleção brasileira, que outrora era o orgulho do povo, anda mais nervosa que gatinho sem leite na tigela, hoje os caras se preocupam mais com o penteado do que com ser macho e ir resolver a coisa sem frescuras, triste.


E o Rock nacional então? Quer coisa mais brochante que isto? Letrinhas com apelo adolescente escritas por quarentões, aliás, a última vez que vi uma letra de protesto foi "Que país é este?" da Legião Urbana, pouco demais para um estilo que tem em essência o inconformismo e que tem tantos representantes nacionais.


E os caras pintadas? Alguém aí se lembra? Que revolta é esta? O pessoal pinta a cara e fica lá parado em frente a algum lugar, bebendo, paquerando... 
No Brasil todos os protestos viram festas, o tal orgulho gay, que coisa mais sem sentido, virou festa banal e não quer dizer nada, a não ser oportunidade de encher a cara e matar dia de serviço.


A ironia de tudo é que atualmente um pessoal brigou por seus, digamos direitos, aqueles estudantes folgados que queriam usar drogas dentro das universidades, pasmém... eles brigaram mesmo!


Acho que a única forma de gerar no povo brasileiro um mínimo de raiva seria acabar com o Carnaval, talvez daí o povo fosse para a rua e brigaria de verdade...


"Ainda inventaram uma frase que todos se orgulham: -Eu sou brasileiro e não desisto nunca, sento e espero que algo milagroso aconteça e melhore minha vida...
A solução é alugar o brasil! (com letra minúscula mesmo)".


Poderia ficar aqui falando da minha revolta a noite toda aqui no blog, mas como todo bom brasileiro brocha, vou dormir e rezar pra deus resolver tudo por mim...


Abraços.