terça-feira, 11 de outubro de 2011

Andei pensando sobre o Amor

Muitas vezes todos nós gastamos horas e horas pensando no amor, mas o que realmente é o amor? Ou melhor como funciona este sentimento dentro de nós? Como lidamos com ele?

Pra começar, gostaria de contar sobre o primeiro dia que ouvi rock: 
O ano era 1982, eu tinha 9 anos e não conhecia nada além do que tocava nas rádios de interior, acho que se resumia a algumas trilhas de novelas e música sertaneja (que na época eram muito melhores que as atuais). Meu vizinho, três anos mais novo que eu, pediu para sua avó como presente de aniversário, uma fita de rock, a senhora cuja qual não me recordo o nome foi até uma loja de discos e fitas, e segundo ela o que motivou a escolha foi:
-Esta capa horrenda deve ser Rock!
Pois bem a tal capa era do LP Killers do Iron Maiden. Aquela capa causou um forte impacto em mim e fiquei muito curioso pra ouvir.
Na época por influência de meu pai e meu avô eu só ouvia Tião Carreiro e Pardinho e por causa disso confesso que havia dentro de mim um certo preconceito por causa das bobeiras que as pessoas sempre diziam, e ainda dizem, a respeito do Rock, mas mesmo assim, peguei a fita emprestada e corri para ouvi-la. Logo que coloquei a fita no rádio, que inclusive era mono, a música "The Ides of the March" começou a tocar, senti meu sangue ferver! Quando a música terminou parei o rádio, voltei e ouvi mais umas 10 vezes antes de prosseguir ouvindo o restante... Até hoje tenho forte na minha lembrança aquele momento e creio que lembrarei disto até meu último dia de vida, até hoje Rock é uma grande paixão.

Um outro dia já em 1989, eu passava em frente a uma loja de instrumentos musicais e alguém estava testando uma guitarra. Até então eu nunca havia visto nada parecido pessoalmente, e o cara que estava testando tocava Breaking All the Rules do Peter Framtpon, aquele som entrou na minha cabeça e mexeu tanto que saí de lá decidido a tocar guitarra, além disso bem naquela noite passou no corujão o filme a Encruzilhada... Nem consegui dormir, além de naquele momento já saber o que eu iria fazer pelo resto da minha vida...

Depois muitos anos mais tarde tive a mesma sensação ao ver minha filha logo após o parto, sabe aquela sensação de entrar na sala e? Havia uma enfermeira me olhando com um sorriso bastante amigável, ela me disse que eu deveria ser rápido pois eles ainda precisariam preparar o bebê antes de seu primeiro aleitamento.
Olhei nos olhinhos da minha filha, foi como se o mundo tivesse parado por alguns segundos, ah! que sensação maravilhosa.

Somente depois de tudo isso pensei: -Qual a diferença do que eu sinto em relação a música, minha guitarra, minha filha, meus amigos, minha família? 
Pois é, acho que a diferença é nenhuma, tudo é amor, cada qual em um departamento dentro da minha vida, e um não pode e nem deve substituir o outro. Claro, existe uma hierarquia que devo seguir na vida prática, mas aqui dentro é tudo exatamente igual em proporção...

Notaram uma pequena semelhança nas 3 histórias? Todas as vezes que descobri um grande amor, foi rápido e fulminante o que me leva a crer que não existe o tal "APRENDER A GOSTAR", digo, os seres humanos são seres muito adaptáveis, mas todas as coisas que tive que aprender a gostar nesta vida ficaram um gostar meio opaco, e na primeira oportunidade que tive aprendi a desgostar sem dó e de forma aliviante.
Quantas vezes nesta vida não conhecemos alguém e imediatamente já temos a sensação de que uma grande amizade se formou?
Ah, mas podemos nos enganar! Dirão alguns, mas aí creio que o problema está em outro lugar (que será assunto de outro post), mas continuando, podemos nos enganar se quisermos, mas nosso coração não se engana jamais.

Daí, depois de todos estes pensamentos já bem claros dentro de mim é que conheci minha namorada, e adivinhem, foi amor a primeira vista, e de ambas as partes, apenas um olhar nada mais, e também tenho a certeza que independente a qualquer coisa que possa acontecer, também lembrarei do primeiro momento que a ví até o último dia da minha vida.

Vai durar? É verdadeiro? Só o tempo dirá, mas o que importa? 
Isto me leva a acreditar mesmo no que diziam meus avós, diziam eles que amores são condicionais ou incondicionais, mas tudo bem também, creio que o que realmente importa é a intensidade que ele nasce pra gente e não o tempo que dura.

Os amores condicionais não dependem apenas de um para que eles continuem a existir, tudo bem, pois pensando assim não existe a chance de se sentir dono de nada nem de ninguém e nem o risco de ficar refém das próprias emoções, não permitindo que nada nem ninguém nos transforme em um objeto de posse.
Sobre os amores incondicionais, resta-se ser feliz em saber que mesmo se um dia houver decepção e sofrimento os amores não se evaporarão, quantos pais não continuam amando seus filhos mesmo quando estes filhos fazem muitas besteiras na vida? E na profissão? Mesmo com todos os percalços continuamos amando o que fazemos com a mesma intensidade ou ainda maior que a do primeiro dia.

"Aprender que os sentimentos nascem e morrem dentro da gente e que ainda não teremos nenhum controle sobre isto é libertador, assim é a vida: Nem tudo é como gostaríamos que fosse"

Continua...

4 comentários:

  1. eu acho que vc tá ficando cada vez mais sentimental.
    concordo com vc em parte masi no meu caso com a guitarra aconteseu um pouco diferente. Sempre toquei bateria e gosto muito disto e sempre tive bastante preconceito contra guitarristas, talvez por rivalizar bastante com meu primo que era da nossa banda. Mais desde que resolvi a ajudar meu brother na loja dele, www.acessoriosdeguitarra.com.br venho descobrindo o quão fascinante é este instrumento e acho que estou até pensando e aprender a tocar.
    Acho que estou aprendendo a amar a guitarra. rsrsrs

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  2. Olá Issac tudo bem? Estou ficando velho creio, por isso o sentimentalismo, rsrrsrs.
    Mas no seu caso o amor foi pela música, este sim deve ter sido a primeira vista, agora o amor pode evoluir em formas de expressão, talvez você tenha começado a entender o que é uma guitarra dentro da música que você já amava... Sei lá.
    Abraços e muito obrigado por comentar.

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  3. Não é a Idade que mostra o quanto a pessoa fica sentimental, mas sim é o quanto ela começa a se entender! Em algumas demoram muito, outros vem mais cedo e outros nem vingam.
    Claro que para isso temos os amigos e familiares e claro a nós mesmos!

    Isso esta relacionado muito com a Música!
    Abraços e um ótimo final de ano MANOOOOOO kkkkk UH! TERERE!

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  4. Oi, Du! Concordo com o que vc escreveu.. amor é algo que fica na gente, que nasce sem que a gente perceba e cutuca quando queremos cala-lo.. Tenho meu amor pela arte: literatura e música.. acho que isso nasceu comigo e foi evoluindo com o passar dos dias. Durante algum tempo, coloquei isso de lado, para ter que lidar com outras coisas. Como isso me incomodou, como algo aqui dentro grita desesperadamente pra sair. Me senti por vários dias, como um animal preso, buscando liberdade. Eu entendo seu amor pela música, e em especial pelo Rock, por ser algo que te completa, que traduz os seus sentimentos. Comigo é assim. Sentimentalismo?! Sim, talvez. Prefiro descrever, como um homem que aprendeu a lidar com suas emoções, seus sentimentos, sem medo ou culpa. Ri alto ao ler: Esta capa horrenda deve ser Rock! Ótimo!!! Amar é acima de tudo se libertar de qualquer pré-conceito.

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