segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Compreender o fluxo do tempo (parte 1)

É fato sabido nos dias atuais vive-se com demasiada ansiedade.
Existem muitos estudos falando sobre isto, e todos nós sem nenhuma exceção, vive momentos de ansiedade em maior ou menor grau, maior ou menor frequencia. Andei pensando em formas de entender a origem da ansiedade embora este assunto já tenho sido falado e estudado profundamente por muitos especialistas, porém aqui gostaria de compartilhar minha visão de leigo.
O que deixa todo mundo ansioso é a incapacidade de compreender o tempo, dificuldade de aceitar que ele escorre sem se importar com nossas urgências. Já notaram que a maioria das pessoas vive brigando com o tempo? Ou querem que ele passe mais rápido (quando há situações desagradáveis ou esperando uma data) ou querendo que ele passe mais devagar (normalmente quando há diversão)?
Vivendo desta forma perde-se o mais importante: A noção exata da velocidade real das coisas. Vive-se em descompasso com o tempo, estar fora de tempo é estar errado, invariavelmente.
A maioria das pessoas simplesmente não consegue ficar parada sem fazer nada, observando o tempo passar simplesmente... Tudo tem um fluxo específico e não adianta se irritar. Já notaram em filas como todos ficam impacientes? É raro nessas ocasiões ver alguém despreocupado com o passar do tempo, mesmo quando estamos de folga, a sensação é que queremos fugir logo do que não nos é divertido, mas será que resolve? Como muitas pessoas já falaram, o tempo não volta e não chega antes da hora, tudo tem seu tempo, a ansiedade cria armadilhas e muitos são presas fáceis.


Exemplos é o que não faltam:
Crediário por exemplo, é uma forma de antecipar o tempo, a um preço módico claro, na ânsia de ter logo o bem, endivida-se, poucos são os que têm paciência de poupar e esperar o tempo certo das coisas.
A pressa é a inimiga da perfeição, basta olhar no trânsito, todo mundo querendo chegar em primeiro lugar ao mesmo tempo, o semáforo que sempre fecha bem na hora em que chegamos... E a urgência por resultados então? Aos 25 anos o mundo cobra que todos já devam estar bem resolvidos e bem sucedidos, daí muitos, infelizmente em nome da urgência, casam se logo (normalmente com as pessoas erradas), escolhem profissões que gerarão lucros mais rápido, esquecendo-se do prazer de fazer o que se gosta.


Entender o tempo é de fundamental importância para atingir a felicidade, afinal este é o objetivo de todos, todos queremos ser felizes. 
Ser feliz não é ser o mais rápido, mas sim ser o mais fluente (fluir significa escorrer junto com o fluxo, sem entraves).
Só existe uma habilidade capaz de ajudar a entender o tempo: A PACIÊNCIA.
As grandes obras de arte demoraram anos para serem concluídas, os grandes projetos da humanidade, todos eles levaram muito tempo para se concretizarem e assim é a nossa vida, leva tempo.


Na música também é assim, leva tempo para adquirir fluência, leva tempo para ter retorno financeiro.


Uma criança leva nove meses para ficar madura para nascer, se nascer muito prematura provavelmente terá problemas, se nascer depois do tempo  também terá problemas, a natureza é sábia.
Uma fruta amadurecida por meios articiais (também em tempo acelerado) não tem o mesmo sabor daquela que amadureceu segundo o seu tempo.
E nas relações então: Quantas vezes não vejo brigas entre as pessoas simplesmente porque elas estão em tempos diferentes, quantas mães brigando na rua com seus filhos pequenos simplesmente porque eles andam mais devagar, quantos casais não conseguem se entender porque cada um deles entende o tempo de uma forma diferente.

"No final de tudo, quem vive fora de tempo não  o percebe passando e acaba por desperdiçar toda uma vida, pare, sente olhe ao seu redor".

continua...

Um comentário:

  1. Lembrei de Lenine: "mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma, a vida não pára. Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa, a vida é tão rara. (...)"
    Penso muito sobre o tempo e escrevi sobre ele quando vi esse poema pela primeira vez. Pensei um pouco mais sobre isso lendo seu post. Valeu.
    Cris Cinat

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